Tel.: +55 11 5181.0222

O uso seguro da bicicleta como meio de transporte exige uma revisão de postura sobre o direito de ir e vir, afirmam especialistar

Felipe Aragonez, diretor do Instituto CicloBR e repórter da rádio CBN, Nabil Bonduki, vereador de SP, Paulo Saldiva, médico e professor da USP, Willian Cruz, da ONG Vá de Bike!, e Renata Falzoni, jornalista e apresentadora da ESPN Brasil, em painel mais aguardado do Fórum Abraciclo 2013

Baseados no direito de ir e vir, os participantes e também praticantes do uso de bicicletas dentro das cidades, Felipe Aragonez, Nabil Bonduki, Paulo Saldiva e William Cruz, debateram, no IV Fórum Abraciclo Mobilidade & Segurança em Duas Rodas, realizado recentemente, em São Paulo, as questões relacionadas à segurança no trânsito para os ciclistas, tendo como mediadora a jornalista Renata Falzoni.

A utilização da bicicleta como meio de transporte no Brasil ainda conta com poucos adeptos, se comparada a países europeus como Holanda e Inglaterra. Além de amenizar o volume de pessoas nos transportes públicos, o modal não polui o ambiente e ainda promove benefícios à saúde para quem pratica. Por isso cresce fortemente a ação do poder público para estimular e favorecer o uso de bicicletas nas principais cidades dos países desenvolvidos – e seus habitantes aderem cada vez mais à ciclo-mobilidade.

As cidades brasileiras, no entanto, ainda não estão preparadas para receber os ciclistas nas ruas. Além de poucos trechos de ciclovias, a cultura do uso da bicicleta como meio de transporte não está inserida em nossa população. “A legislação brasileira foi pensada, em geral, para as pessoas que utilizam carros. Os próprios ciclistas não conhecem seus direitos”, afirma o arquiteto, urbanista, professor da FAU/USP e vereador da cidade de São Paulo, Nabil Bonduki.

Outro fator que aponta a falta de estrutura para inserir as bicicletas no cotidiano da população é a ausência de locais específicos para que os ciclistas possam trafegar e estacionar. “A bicicleta é o único meio de transporte que não pode trafegar no aeroporto de Congonhas, em São Paulo”, comenta o médico e professor da USP, Paulo Saldiva.

Infrações para Carro ou Bicicleta?
O comportamento da sociedade, diante da nova realidade no uso de transportes, também foi discutido na ocasião. Na rua, todos são considerados pedestres, independente dos meios utilizados. “A legislação do Brasil foi pensada, em grande parte, para os condutores de automóveis, o que redobra a preocupação em unir esforços para manter seguro o deslocamento coletivo”, afirma Bonduki.

Com relação às normas defendidas no Código de Trânsito Brasileiro, o responsável pelo projeto Vá de Bike!, comenta: “A lei do menor esforço é um privilégio dos ciclistas e pedestres. A bicicleta não precisa seguir as regras impostas para os carros. Posso transitar pela calçada e parar minha bicicleta, caso alguém se aproxime”.

Como soluções, os especialistas sugerem o compartilhamento, entre ciclistas e pedestres, das calçadas em determinados trechos, a adoção de espaços limitados para que as bicicletas possam sair à frente dos carros e das motos no semáforo (Bike Box), a mobilização da população por igualdade e respeito no trânsito e a construção de mais ciclovias nas cidades.

JoomShaper