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Setor promete arrancar em 2017

A crise não deu trégua ao menos para o segmento de Motos. Cada mês do ano era pior que seu respectivo em 2015. Janeiro começou, por exemplo, com uma queda de 11,42%. Com 96.243 unidades emplacadas, sendo 4.099 só no ceará, contra 108.653 do ano anterior, o mercado culpou o aumento das taxas do departamento de trânsito. Mas, mal sabiam que mais estava por vir.

O segundo semestre concentrou as maiores quedas, reflexo disso está novembro com baixa de 30,40%. Foram 73.343 unidades (sendo 6.899 no estado) diante de 105.376 do mês equivalente de 2015.
"a produção de motocicletas em 2016 voltou aos patamares de 2002, demandando ajustes na estrutura de toda a cadeia produtiva, fornecedores, fabricantes e concessionárias", destaca marcos fermanian, presidente da associação brasileira dos fabricantes de motocicletas, ciclomotores, motonetas, Bicicletas e similares (Abraciclo).
O consórcio, um dos maiores instrumentos de vendas das concessionárias, sofreu impacto no ceará neste ano que passou também. Com a seca, segundo sérgio holanda, do conselho arbitral da assohonda, muitas famílias dos interiores tiveram que optar por comprar água em vez de pagar uma parcela do consórcio. "esperamos que dê uma melhorada em 2017, que ele também caiu em 2016. O consórcio é uma grande arma que a gente usa, principalmente no interior, porque lá o índice de aprovação (de crédito do financiamento) é muito difícil por conta do comprovante de endereço e de renda, que aqui na capital é mais fácil", aponta Sérgio Holanda.
E quem pensou que os serviços escaparam da tão falada crise, está equivocado. Ainda que os motociclistas não possam fugir das revisões, deixando as oficinas movimentadas durante o ano, o trabalho solicitado diminuiu. "o usuário em uma crise como essa faz só o estritamente necessário. O acessório ele deixa de comprar, faz menos lavagem, vai polir menos. Faz só o básico: troca do óleo, do pneu, a revisão preventiva. Então, foi por isso que a gente teve a queda dos 30%", explica raimundo nonato lessa, presidente do ceará da assoMotos, a qual é a associação de fabricantes, prestadoras de serviços, distribuidoras e revendedoras de peças e motocicletas.
Investimentos
A Honda detém a maior parcela do market share e também prevê recuperação em seus números. Em 2016, de 959.463 no Brasil, com base de janeiro até 18 de dezembro, somente da Honda foram 693.888 unidades. No Estado, os emplacamentos da marca quase que se equiparam com o volume total. Foram 57.870 dela diante de 64.462 geral.
Entre os modelos mais emplacados, em disparada com mais de 200 mil unidades vendidas está a CG. Se ela já era bastante procurada antes, este ano isso foi reforçado devido a alta publicidade em torno do aniversário de 40 anos de sua produção local na planta em Manaus. Em novembro ela completou quatro décadas desde a primeira nacional CG 125 fabricada. Agora já são 10 gerações vendidas e, para celebrar, a marca lançou uma edição especial da CG 160 Titan, limitada a apenas 7 mil unidades, com grafismos exclusivos especiais.
E para este ano, a japonesa não quer se acomodar em permanecer no primeiro lugar do ranking das marcas mais vendidas sem trazer novidades ao mercado. "Essa questão de investimentos nós nunca deixamos de fazer, isso é por inclusive acreditarmos no potencial do mercado do Brasil e felizmente pudemos presentear o consumidor com a edição especial dos 40 anos da CG e com a fabricação da famosa Africa Twin, que veio de presente pelos 45 anos da Honda no País e este ano vamos continuar a investir em novos produtos", ressalta o diretor executivo de relações institucionais, Paulo Takeuchi.
"A Honda pensa em crescer pelo menos uns 2% em varejo agora em 2017. A exportação também ela está pensando em ir para 66% em 2017", acrescenta Sérgio Holanda.
Luz no fim do túnel
O ano já começou, no entanto ainda não será neste mês que o mercado prevê uma reação.
"Janeiro é o mês mais difícil para emplacamentos, porque as taxas todas são muito altas. Para uma moto, chega a representar quase 20% do seu valor médio, então a coisa só começa a melhorar a partir de março. Diminui IPVA e um pouco do seguro e aí o cliente volta a emplacar as motocicletas", enfatiza Sérgio. No decorrer deste ano, a esperança é ao menos equiparar-se aos números de 2016. "Acho que se a gente deixar estável já está de bom tamanho. Mas, nós esperamos algum crescimento no segundo semestre de 2017 e primeiro semestre de 2018", completa. E no setor de serviços, Nonato crê que 2016 serviu para selecionar aqueles mais preparados, mais organizados administrativamente. "O mercado é ainda muito informal, as pessoas não procuram se desenvolver", revela. Mas, ele prevê que o setor de duas rodas será o primeiro a sair da crise. "Ele continua sendo um segmento promissor, bom de se trabalhar, tem muita coisa ainda para se fazer", pontua.
Para a Abraciclo, o atacado deve atingir a marca em torno de 825 mil. Isso significa abaixo que 2016, cerca de 4% de diferença. No varejo, a projeção é de 890 mil, com 1,1% a menos que o ano passado. No entanto, mesmo com essa previsão, segue o mesmo raciocínio de Sérgio. "Em 2017, o setor tem a expectativa de atingir resultados semelhantes ao de 2016. Além disso, teremos a realização do Salão Duas Rodas, o maior evento do setor, que deverá contribuir para o estímulo do mercado", destaca Marcos.
Sim, tudo indica que a crise vai esfriar, fazendo o mercado voltar a aquecer. E com o Salão já marcado para acontecer nos dias 14 a 19 de novembro, os bons ventos têm tudo para serem confirmados neste ano.

 

FONTE: Diário do Nordeste - CE

DATA: 02/01/2017

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